domingo, 3 de maio de 2009

É incrivel como passamos vezes sem conta por ruas e não lhes sentimos o cheiro. O problema talvez seja das novas tecnologias, já dizia noutro dia o meu pequeno eu cerebral de 88 anos. Sim, essas malvadas que nos fazem dependentes e que nos privam duma existência mais observadora, uma vivência mais partilhada (bolas, que hoje há inspiração!), que nos fazem perder de forma muito subtil pequenos pormenores do dia a dia. Se não andássemos tanto de carro não acontecia esta coisa tão irreal que é passar por ruas sem lhes sentir o odor, porque elas têm odores, tudo tem. Apercebi-me disso ao andar numa invenção mecânica, foi preciso uma Vespa para pensar "Já passei tantas vezes por aqui e não sabia que esta rua cheirava a flores".

É certo que este meu discurso é um bocado hipócrita, eu até gosto muito das tecnologias, no fundo este veículo metade mecânico metade "objecto de culto de design" fascina-me, é bonito e faz-me ter pensamentos engraçados contra os carros(desses já não gosto tanto), se a Vespa fosse um ser vivo eu dizia que ela só me está é a controlar para eu comprar muitas Vespinhas para ter na garagem. E no meio deste pensamento todo, a tal Vespa leva-me a contradizer o meu eu de 88 anos para concordar com ele noutro ponto, a culpa não é das tecnologias, a culpa é minha, é desta juventude preguiçosa a que pertenço.

Se calhar devia andar mais a pé pelas ruas que passo frequentemente de carro, só por curiosidade. Só para me sentir melhor comigo mesma. Porque, sinceramente, como posso dizer que conheço a minha terra se muitas vezes nem sequer lhe sinto o cheiro.



Ps: Acabei de me lembrar que estou sempre constipada (espero que não esteja, de forma inconsciente, a tentar arranjar desculpas para a minha cegueira).

2 comentários:

  1. eu tenho a dizer, sobre este topico, que se ja abriste os olhos a essa realidade so por andar de vespa, imagina como seria epifanilizante(deriva de epifania) andar de bicicleta.. já nem quero falar de como este meio e mais rico para tua saude como para a saude do mundo.. fico me pela quantidade e potenciais emoções que ainda podes experenciar...

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