Nasci, ninguém me perguntou nada. Não escolhi, nem sequer me lembro. Se sei que nasci, é porque estou aqui. Será que saberei que morri? Não estarei aqui, não poderei senti-lo. Também não escolherei esse dia. Nem sequer escolho o ritmo do meu coração, o tamanho do meu corpo, a cor dos meus olhos.
Onde quero eu chegar? A uma única escolha, uma única decisão que eu tenha tomado. Quero definir-me. O que é que sou eu? Pondo de parte o meu DNA, o que o meio me conferiu, a sorte que tive, o que vi e vivi. Que valor tenho se eu sou apenas um conjunto de factores que não dependem de mim? Orgulho e culpa são palavras que não têm lugar no dicionário desta minha perspectiva. As pessoas são o que são e fazem o que fazem (o bom e o mau) porque não podem não o ser nem não o fazer. Ninguém escolheu ser o presidente da república, ninguém escolheu ser pedófilo. Simplesmente lhes foram conferidas diferentes características que em nada dependeram deles. Basicamente, ambos têm o mesmo valor pessoal, ou se o leitor preferir, o valor pessoal é algo de fictício, não existe.
Quem tem culpa? Quem merece?
Se as nossas características dependessem de nós, seriamos todos perfeitinhos, a sociedade seria um sucesso. Não existe culpa. Se deus existisse e a culpa também, eu teria a ousadia de dizer que ambos são um só! Mas como não existe, não sinto a necessidade de dizer o que acabei de escrever. Nascemos sem querer, morremos sem querer. Vivemos sem querer, numa ilusão. Dou por mim pensando que sou nada. Só o facto de estar a escrever e pensar neste momento, faz de mim uma pessoa tão igual e tão diferente do resto desta linhagem de robots a que chamamos de humanidade.
É uma teoria destrutiva esta.
ResponderEliminarNão sei se estou de acordo em algumas coisas, porque sim, nós não escolhemos o corpo em que nascemos nem sequer o meio, além de que parte da nossa personalidade nos foi transmitida e principalmente ensinada, ou seja não é genuinamente nossa. Mas então imagina que nascias e te isolavam do mundo. Irias viver num mundo sem cheiro, sem cor, sem formas, sem pessoas nem seres. Aí tu irias criar aspectos de personalidade tuas, ainda que pela sobrevivência. A parte que sobrava do teu ADN estava lá, mas ninguém te podia impor mais nenhuma condição além da de estares isolado. Ias ser completamente diferente de um ser criado numa sociedade. E de quem iria depender isso? Se não tinhas mais ninguém ali, iria depender em parte do que tinhas no ADN e em outra parte daquilo que tu ias criando. Aquilo que ias formando então, ainda que manipulado em parte pelas condições, era a tua personalidade. Ou seja 20% ADN, 40% condições e 30% personalidade própria. De modo que, ainda que dificilmente a encontremos, nós temos um estado nosso. Uma personalidade que acaba sempre por ser afectada pelo meio, mas que vai criando aspectos próprios profundos.
Não creio que estejamos determinados desde cedo. Aqueles 30% ainda que em pequena dose, permitem-nos fazer escolhas. Podes ter duas pessoas que têm um percurso de vida que lhes indique logo que vão ser más pessoas e pessoas perturbadas, porém uma delas pode não vir a sê-lo se se esforçar por encontrar a réstia de personalidade que tem.
Penso que para fugirmos ao que nos prende temos que fazer um esforço que só alguns conseguem. Só algumas pessoas se encontram de facto. Porque exige força para irmos buscar a nossa personalidade para fazermos escolhas, é muito mais fácil se seguirmos aquilo que nos foi transmitido. O conformismo não custa tanto.
E quanto à parte "Se as nossas características dependessem de nós, seriamos todos perfeitinhos, a sociedade seria um sucesso.", discordo profundamente. O facto de a sociedade não conseguir ainda ser perfeita, revela que desde o inicio existem pessoas onde aqueles 30% de personalidade se vai demonstrando. Porque podes ter a certeza que se fossemos todos seres individuais e independentes, não iriamos ter todos as mesmas concepções, as mesmas ideias. Talvez o mundo fosse melhor, talvez o mundo fosse caótico. Mas era mais genuíno e completamente utópico. Por isso mudo a tua frase para: Se tudo em nós dependesse do que os outros nos impõe, seriamos todos iguais, perfeitos aos olhos deles, a sociedade seria um sucesso.
Porque nós temos personalidade, não é pura e não é todo o nosso ser. Mas ela está cá, cabe a cada um tentar conhece-la em si próprio.
correcções: onde se está "aqueles 30% de personalidade se vai demonstrando" leia-se: aqueles 30% de personalidade se vão demonstrando.
ResponderEliminarNão dá pa editar os comentários, damn!
1º a capacidade de esforço não depende do dna? so umas pessoas conseguem, e porque?
ResponderEliminar2º nao existe tal hipotese, de nascer desse lugar. tens logo uma mae, se nao tiveres morres. e começa logo ai a a influencia do meio.
3º uma mundo perfeito nao quer dizer que todos tenham as mesmas ideias. antes quer dizer que todos tenhamos a capacidade de respeitar diferentes ideias.
tu es quem es pq nao podias ser outra pessoa, se tivesses nascido bin laden eras bin laden. tu nem memoria tens da tua infancia. e logo ai a pessoas q tem traumas q se vao fazer ver qd estas cresceram. n depende delas. o que raio e a personalidade se nao a mistura do teu dna, do que o teu meio te vai dando e do simples acaso?
Acaso? O que é o acaso? Somos o que somos por causa do ADN, do que o meio nos vai dando e do que calha? E isso calha porquê? Não será que nós temos escolhas em nós, ainda que manipuladas em parte por todas as condições?
ResponderEliminarEm forma de resposta, ponho assim para ser mais fácil:
1º Então, só prova que o DNA está lá. Mas não é so ele que nos determina como seres
2º Era uma hipotese hipotética. E nascias de uma mãe, colocavam-te nesse mundo.
3º A perfeição é relativa. Disse o que disse para por contrariar a ideia do post, que era a de que se todos controlassemos o que somos o mundo era perfeito. Eu pelo contrário acho que se o fizessemos o mundo não iria ser perfeito, porque o homem não é perfeito, nunca alcançaria tal feito. Logo se nós não tivessemos personalidade própria, se fossemos apenas ADN e meio, aí sim a sociedade ia ser perfeita, pois todos os seres iriam ter a mesma base de pensamento e as mesmas acções, ia ser ainda mais mecânica do que já é.
Leia-se: ADN e o meio em que nos inserimos (para não ser tão confuso)
ResponderEliminarso um mini comentario:
ResponderEliminar1º Então, só prova que o DNA está lá. Mas não é so ele que nos determina como seres
e vdd, so prova que o DNA esta la, n prova certamnete o resto da frase